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Projeto avalia espera no tratamento de câncer de colo do útero

28 de Maio de 2026

Projeto avalia espera no tratamento de câncer de colo do útero

Marize Castro – UFRN/bolsista CNPq

O câncer de colo do útero é um tipo de doença comum entre as mulheres brasileiras. O principal fator de risco é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), que é transmitido sexualmente. Diante de tal realidade – e buscando interferir positivamente nesse cenário –, o professor e pesquisador Dyego Leandro Bezerra de Souza, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, propôs ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o projeto Tempo de espera entre o diagnóstico e o tratamento em mulheres com câncer de colo do útero no Brasil, visando fazer uma avaliação da Lei dos 60 Dias – que decreta o início do tratamento da pessoa com câncer até dois meses após o diagnóstico.

Esta pesquisa tornou-se viável após a aprovação pelo CNPq, através da Chamada n.21/2023 – Estudos Transdisciplinares em Saúde Coletiva, e está sendo realizada em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), Universidade Nacional San Luis Gonzaga de Ica, no Peru, Universidade de Newcastle, na Inglaterra, e Universidade de Pernambuco.

Este projeto consiste em uma pesquisa extremamente relevante para o Sistema Único de Saúde (SUS), pois seus resultados podem orientar políticas de saúde, alocação de recursos e intervenções direcionadas para melhorar o acesso e reduzir o tempo de espera para o tratamento. O Brasil é um país com diferenças regionais significativas e uma análise por unidades da federação e regiões de articulação urbana permitirá identificar desigualdades no acesso ao tratamento e contribuir para a redução das disparidades regionais. Avaliar o cumprimento da lei permitirá identificar quais estados enfrentam desafios para garantir o tempo adequado. 

À frente da pesquisa, iniciada em fevereiro deste ano, está o professor Dyego Souza, que é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – nível D. “Estamos verificando se a Lei, de fato, reduziu ou aumentou a porcentagem de mulheres que estão sendo tratadas dentro dos 60 dias; se existem diferenças, em conformidade com a lei, entre as unidades da federação, por exemplo, comparando o Rio Grande do Norte com o Rio Grande do Sul, com São Paulo, ou com o Rio de Janeiro. Estamos fazendo a porcentagem de conformidade com a lei para o Brasil e para cada unidade da federação”, afirma. Ainda, segundo Dyego, serão incluídos no estudo 64.205 casos de câncer de colo do útero. “Além disso, iremos analisar o período de 2010 a 2019, para saber se a partir de 2012, o ano da lei, houve uma redução ou um aumento na quantidade de mulheres tratadas até os 60 dias.

Depois dessa análise inicial do tempo, vamos estudar quais fatores, após o diagnóstico, estão associados para se iniciar o tratamento até os 60 dias. Por exemplo: será que as mulheres que utilizam o serviço privado têm uma maior facilidade para iniciar o tratamento? Será que as mulheres que possuem uma melhor condição socioeconômica têm um acesso melhor ao tratamento até os 60 dias?”, reforça. Para isso, continua o professor, a pesquisa trabalha com o Índice de Gini, que mede a Desigualdade Social, com o Índice de Desenvolvimento Humano e com o Índice de Vulnerabilidade Social.

Outras variáveis são escolaridade, raça, estado conjugal e tipo de acesso aos serviços de saúde. A pesquisa, dividida em três etapas, está trabalhando com dados secundários, ou seja, não são dados coletados diretamente do paciente nem dos serviços de saúde, mas, sim, do banco de dados organizado pelo INCA, denominado de Integrador de Registros Hospitalares de Câncer (IRHC). Na primeira etapa, os dados individuais sobre o tempo entre o diagnóstico e tratamento serão coletados pelo IRHC.

Na segunda etapa, o banco de dados individual será associado aos bancos com dados agregados por unidades da federação e Regiões Intermediárias de Articulação Urbana. No Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, disponibilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, serão extraídas informações sobre o contexto sociopolítico. Os dados de oferta de serviços de saúde serão coletados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS. Indicadores específicos serão calculados usando como denominador os dados do último Censo Demográfico, contagens de população e estimativas populacionais por unidades da federação e idade.

Na terceira etapa, os dados individuais serão coletados do IRHC. Os Registros Hospitalares de Câncer reúnem informações padronizadas acerca das características sociodemográficas dos pacientes oncológicos, características clínicas do tumor e atividade assistencial hospitalar.

A equipe que está trabalhando nesta pesquisa é formada por pesquisadores com diversidade de gênero, étnico-racial e regional, com o objetivo de promover a equidade. A equipe adota medidas proativas para eliminar barreiras e desigualdades, promovendo um ambiente inclusivo e representativo na pesquisa, de modo a garantir que os benefícios da ciência estejam disponíveis para todos, independentemente de gênero, raça ou região.

A excepcionalidade desta pesquisa está em sua aplicabilidade pelo SUS, pois, com base nos resultados da pesquisa, as autoridades de saúde poderão tomar decisões para melhorar a organização e o funcionamento dos serviços de saúde, garantindo um tratamento mais ágil e eficaz. Essas medidas têm potencial para reduzir o número de óbitos por câncer e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Os resultados poderão ser utilizados como embasamento para o desenvolvimento de políticas públicas mais direcionadas, como a reorganização das linhas de cuidado e definição de fluxos na regulação do tratamento. As informações sobre territórios com baixa conformidade com a Lei dos 60 Dias podem orientar a distribuição de recursos e investimentos em saúde, buscando reduzir as discrepâncias entre as regiões do Brasil.

Notícia publicada no site da UFRN: https://www.ufrn.br/imprensa/noticias/80854/projeto-avalia-espera-no-tratamento-de-cancer-de-colo-do-utero


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